Londres, 19
mar (EFE) - Uma versão modificada e
desativada do vírus da aids poderia
tornar-se a base de um novo tratamento
genético pré-natal para a fibrose cística,
segundo especialistas britânicos que fizeram
uma série de experimentos com fetos de rato.
Os cientistas acreditam que o vírus da aids
desativado poderia ser manipulado para ter a
capacidade de transportar cópias do gene
que, quando falha, causa a fibrose cística,
deficiência que atinge principalmente os
pulmões e o trato digestivo, afirmou o
jornal "The Times".
Diversos experimentos realizados no
University College London (UCL) mostraram
que o vírus modificado pode infectar o
tecido pulmonar dos fetos de rato.
Os cientistas britânicos trabalham agora em
uma posterior modificação do vírus da aids,
para que possa levar até o pulmão do feto o
material genético necessário para corrigir a
doença.
A equipe do UCL, dirigido por Suzy Buckley,
ganhou um prêmio da Sociedade Britânica de
Tratamento Genético, que financiará seu
projeto de colaboração com uma equipe
australiana.
Segundo Simon Waddington, um dos colegas da
doutora Buckley, pode levar cinco anos para
o início dos testes clínicos com esse
tratamento.
Caso fique comprovado que funciona, o
tratamento em questão pode ter grandes
vantagens sobre outros similares, que devem
ser aplicados após o nascimento da criança,
quando já pode ser muito tarde.
O tratamento genético fetal também apresenta
a vantagem de que o sistema imunológico do
feto tem menos probabilidades do que os das
crianças e adultos de rejeitar o vírus
modificado, e este tem mais chances de
chegar às células-tronco das quais se
originam os outros tecidos.
O vetor que utiliza o HIV é uma versão
profundamente modificada do vírus em
questão, e suas proteínas da superfície
também foram alteradas de modo que infecte
precisamente as células pulmonares, em vez
das células do sistema imunológico, que
normalmente são seus alvos.
EFE