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  Belém, 14 de setembro de 2002.


Ministério Público ouvirá secretários de
Saúde sobre a falta de remédios

O Ministério Público Estadual (MPE) ouvirá os secretários de Saúde do Estado e do município sobre a falha na distribuição de remédios para pacientes que sofrem de fibrose cística. Apesar do lote liberado após retenção na alfândega, o programa de atendimento aos doentes continua sem outros medicamentos que garantem o controle da doença, caracterizada pelo definhamento do corpo.
A situação está sendo analisada pela promotora Agar da Costa, que responde interinamente pela Promotoria de Direitos Constitucionais do MPE. A apuração segue como um procedimento extrajudicial, com possibilidade de encaminhamento para a procuradoria e denúncia de irregularidade administrativa ou até criminal.
A promotora observa que a punição é possível caso se comprove que a irregularidade, atestada pelo serviço de atendimento dos pacientes, põe em risco o estado de saúde e atá a vida das crianças, que são maioria.
Os secretários serão chamados a explicar o porquê do repasse dos medicamentos não estar sendo cumprido regularmente. Desde 2000, três acordos foram fechados para regularizar a distribuição. Nenhum foi cumprido, já que a situação se mantém.
A liberação do lote com TOB, Alfa Dornase e Adex, na quinta-feira, 12, aconteceu logo após o MPE enviar ofícios às secretarias cobrando satisfações. Segundo Valéria Martins, a coordenadora do programa, que atende os 35 pacientes do Pará, o remédio TOB nunca foi recebido pelo hospital Barros Barreto, onde funciona o ambulatório. Ela revela ainda que o lote não resolve o problema completamente porque o tratamento exige também o Pulmozyne, usado para facilitar a respiração do paciente, e as enzimas que permitem ao organismo absorver os alimentos continuam em falta. Para remediar a situação, as enzimas de crianças pequenas são usadas em maiores e adultos, mas em doses maiores.
A promotora completa que, diante da alegação feita pela Secretaria Executiva de Saúde (Sespa), de que a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) foi a responsável pela demora na entrega do lote também deve ser ouvida. Contudo, Aga Costa destaca que as secretarias não estão livres da responsabilidade por deixarem o serviço a cargo da empresa, que não é a responsável pela administração da Saúde como direito básico determinado pela Constituição.

Cura - Atualmente, 33 pacientes, a maioria crianças, estão cadastradas no Barros Barreto para tratamento de fibrose cística. A doença hereditária impede que a pessoa absorva os alimentos e provoca um quadro progressivo de debilidade física, com diarréias, asma e pneumonia freqüentes.
Uma combinação de medicamentos controla a doença. Como essas pessoas não têm condições de custear o tratamento de R$ 3 mil a R$ 4 mil mensais, o Ministério da Saúde garante o reembolso do Estado que distribuí-los aos pacientes inseridos no programa.

 

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