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Pacientes
com FC não apresentam deficiência imunológica e à exceção do
trato respiratório não apresentam maior número de infecções
quando comparados a pessoas normais.
A
infecção crônica pulmonar principalmente com Staphylococcus
aureus, Pseudomonas aeruginosa e Burkholderia cepacia é a
principal causa de morbidade e mortalidade em pacientes com fibrose
cística.
Todos
os pacientes com FC, independente de sua condição clínica, devem
realizar cultura de secreção do trato respiratório. O número de
procedimentos é variável, mas quanto mais rigorosa a monitorização,
melhor controle epidemiológico, da infecção e colonização.
A
secreção pode ser obtida por meio de lavado bronco-alveolar,
escarro, escarro induzido, swab orofaríngeo e aspirado nasolaríngeo
ou nasofaríngeo.
Na
prática, realiza-se cultura de escarro. Na impossibilidade de se
obter escarro, procede-se a manobra de escarro induzido ou colhe-se
secreção de orofaringe. O valor preditivo de culturas positivas
obtidas por meio de secreção de orofaringe é 80%. Assim, culturas
positivas de orofaringe são fortemente sugestivas da presença da
bactéria nas vias aéreas inferiores e culturas negativas não
excluem a presença de bactérias.
Embora
a predisposição dos pacientes com FC para colonização por Pseudomonas
aeruginosa seja conhecida há muitos anos, o mecanismo pelo qual
isso acontece é desconhecido. As taxas de colonização variam
entre os pacientes com FC. Nos primeiros 2 anos ocorre predomínio
de infecção por Staphylococcus aureus. Após o segundo ano, ocorre um aumento
progressivo de P aeruginosa,
com taxas que variam de 50 a 75%.
A
antibioticoterapia não erradica a infecção do trato respiratório
inferior. No entanto, diminui a população de bactérias, a produção
de fatores microbianos, a resposta inflamatória e promove melhora
da função pulmonar e do bem-estar.
Para
a escolha adequada dos antimicrobianos é necessário identificar os
patógenos do trato respiratório inferior e o padrão de
sensibilidade.
As
cepas não mucóides predominam no início da colonização dos
pacientes com FC. Na medida em que se torna crônica, há predomínio
das cepas mucóides. Essas estão associadas a uma reposta inflamatória
com produção de anticorpos.
Evidências epidemiológicas
indicam que o contato social é importante fator na disseminação
de cepas. Høiby et al, diminuíram de forma significativa a
colonização por Pseudomonas
aeruginosa, na Dinamarca, após isolarem os pacientes
colonizados dos não colonizados durante internações, atendimento
ambulatorial, encontros e reuniões.
Høiby
et al. Changing
epidemiology of Pseudomonas aeruginosa infection in Danish cystic
fibrosis patients (1974-1995). Pediatr
Pulmonol 1999; 28: 159-166.
Reis FJC, Damaceno N. Fibrose cística. J pediatr (Rio J.) 1998; 74
(Supl 1) S76-S94.
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